31.8.07

Concerto dos meus alunos


Meus compadres e comadres.
Neste sábado, às 20 horas, no Teatro Sesiminas do Centro de Cultura José Maria Barra, a Orquestra Jovem e o Grupo de Choro do Centro Cultural Campos Elíseos de Ribeirão Preto estarão se apresentando em evento que marcará o lançamento do projeto social "Rabeca Sapeca".

Proposto por nós da ACUAS (Associação Cultural Antenógenes Silva), o citado projeto já conta com as parcerias do SESI-FIEMG e ROTARY CLUB DE UBERABA e esperamos poder fechar mais algumas a partir do evento deste sábado.

A apresentação é também para homenagear o ROTARY CLUB DE UBERABA que está completando 70 anos e que através do seu presidente, Irizon Amaral Arantes, não está economizando esforços para a realização do evento.

A apresentação da Orquestra Jovem e do Grupo de Choro vai mostrar a Uberaba onde a ACUAS e seus parceiros pretendem chegar com o projeto "Rabeca Sapeca", que é idealizado nos moldes do projeto implantado no Centro Cultural Campos Elíseos de Ribeirão Preto, que já colhe os frutos de um trabalho executado com excelência operacional.

Todos nós, ACUAS, ROTARY E SESI-FIEMG temos muito a agradecer ao Secretário de Cultura de Ribeirão Preto, Dr. Vicente Seixas e à Coordenadora do Centro Cultural Campos Elíseos, Denísia Costa, e dizer que sem o empenho de cada um essa apresentação não seria possível.

A abertura do concerto será a apresentação de um regional de choro (violões, cavaquinhos e percussão), executando obras dos mais consagrados compositores nacionais e em seguida a Orquestra Jovem interpretará obras de Antônio Vivaldi, Villa-Lobos, Ernani Aguiar, Chiquinha Gonzaga, Luiz Gonzaga, entre outros.

A Orquestra Jovem e o Grupo de Choro são formados por jovens de 10 a 16 anos que participam dos cursos de instrumentos de cordas oferecidos pelo Centro Cultural Campos Elíseos de Ribeirão Preto: violino, viola de concerto, violoncelo, contrabaixo, violão e cavaquinho.

CENTRO CULTURAL CAMPOS ELÍSEOS DE RIBEIRÃO PRETO
Mantido pela Prefeitura Municipal de Ribeirão Preto foi criado em 1º. de agosto de 1.999, com o objetivo de desenvolver ações e projetos sócio-educativos-culturais na área de música e dança.

Tornou-se referência no ensino de artes em Ribeirão Preto e ganhou reconhecimento da comunidade por oferecer oportunidades aos jovens de se aperfeiçoarem e exercitarem suas aptidões artísticas.

Promovendo a inclusão social e cultural através de ação arte-educativa conta com um corpo docente de 22 profissionais e um corpo discente de 1.342 alunos, atingindo a faixa etária de 8 meses a 16 anos, distribuídos nos cursos de: violino, viola, violoncelo, contrabaixo, violão, cavaquinho, piano, flauta-doce, musicalização, prática de orquestra, matérias teóricas, ballet (clássico e contemporâneo), dança de rua e capoeira.

ASSOCIAÇÃO CULTURAL ANTENÓGENES SILVA - ACUAS
Organização Não Governamental que vem somar às demais instituições da área cultural desta cidade no desenvolvimento de projetos culturais além de manter e desenvolver trabalhos artísticos de grupos ou corporações musicais que venham, por ela, ser constituídos.

O nome da entidade foi escolhido como forma de homenagear o grande músico Antenógenes Silva, um dos maiores músicos nascidos em nossa terra, compositor de inúmeras obras que integram o nosso cancioneiro popular e que o elevam ao patamar dos grandes melodistas da música popular brasileira.

A ÁCUAS inicia suas atividades em Uberaba promovendo parcerias em projetos que visam a promoção da cidadania e a inclusão social e cultural uma vez que entre seus objetivos está o de contribuir para o enriquecimento da cultura da cidade e região, por meio de uma programação cuidadosamente oferecida que visa criar e conservar o contato entre arte e sociedade.

Através de sua programação artística e cultural garantirá em Uberaba a presença de artistas, maestros, músicos de renome nacional e internacional, professores, críticos de arte, além de desenvolver cursos de formação e especialização musical e cultural, pesquisa científica, seminários, festivais, entre outros.

Uma sugestão: chegue cedo para garantir um bom lugar. O Teatro Sesiminas tem pouco mais de 530 lugares e os ingressos (R$ 10,00 e R$ 5,00) já estão acabando.

Ah! Ia me esquecendo. Além de pagar o preço do ingresso tem que levar 2 quilos de alimentos não perecíveis. O concerto é beneficiente.

23.8.07

DANIEL DE VITO FAZ RECITAL DE LANÇAMENTO DA ACUAS

Meus compadres e comadres.

Domingo, dia 26 de agosto, é o dia tão esperado por nós e tão cuidadosamente organizado. Estaremos fazendo o lançamento da ACUAS - Associação Cultural Antenógenes Silva - com um recital desse jovem pianista virtuose que do tanto que toca causa-nos a falsa impressão de ser uma coisa muito fácil.

Fácil para ele com quem Deus foi bastante generoso.
Tanta musicalidade aliada ao seu esforço e ao sacrifício de seus pais para proporcionar-lhe os melhores mestres e as melhores escolas, que tinha que dar mesmo no que deu.

Daniel De Vito é o escolhido para fazer o lançamento dessa nova entidade cultural que nasce com o propósito de convergir forças para enriquecer e alavancar a cultura de Uberaba, contribuindo para sua inclusão no cenário artístico nacional.

A ACUAS é uma entidade que nasce com credibilidade e poder de articular parcerias, poder este herdado do respaldo e reconhecimento de relevantes colaborações prestadas à produção cultural de Uberaba por seus membros fundadores.

A escolha do jovem Daniel De Vito não foi aleatória. Mostra o engajamento da ACUAS com a produção cultural da cidade ao mesmo tempo que privilegia e aposta nos jovens talentos além de se comprometer com uma programação artística de qualidade, pois garantirá em Uberaba a presença de artistas, maestros, músicos de renome nacional e internacional, professores, além de desenvolver cursos de formação e especialização musical e cultural, pesquisa científica, seminários, festivais, entre outros.

Para tanto a ACUAS inicia suas atividades artísticas e culturais com parceiros como o SESI-FIEMG e o Rotary Club de Uberaba promovendo como solenidade de inauguração um recital de piano desse fenômeno que é DANIEL DE VITO, que dia 26 próximo, às 20 horas, no Centro de Cultura José Maria Barra, mostrará a sua arte e a de Beethoven, de Skriabin, de Liszt, de Ravel e de Nepomuceno.

Vida longa à ACUAS!

13.8.07

Músicos estão próximos de conseguir mudanças na OMB

A crise representativa na Ordem dos Músicos do Brasil (OMB) chega no limite e artistas de todo o país, articulados em fóruns, conseguem colocar projetos de mudanças novamente na pauta do Congresso. Fórum Nacional dos Músicos está otimista e espera que projeto de lei seja aprovado antes das eleições.

SÃO PAULO - Que a Ordem dos Músicos do Brasil (OMB) está em crise, não é nenhuma novidade até para quem não tem muito interesse no assunto. Presidida há 42 anos pela mesma figura, Wilson Sândoli, que acumula as presidências do Conselho Federal da OMB, do Conselho Regional Paulista e do Sindicato dos Músicos de São Paulo, a representatividade e atividade da Ordem nunca foi tão questionada. Por meio de fóruns regionais, que criaram o Fórum Nacional Permanente de Músicos, em 2005, no FSM de Porto Alegre, os artistas estão conseguindo, além de tornar o debate público, apoio para aprovar no Congresso as modificações necessárias para a democratização da Ordem.

A atuação da Frente Parlamentar da Cultura no tema começou efetivamente no meio de abril desse ano, quando representantes do Fórum compareceram à Câmara para pedir o desengavetamento do projeto de lei 2838, de 1989. O projeto, que não é o ideal, mas já amplia a participação dos músicos na entidade, tem boas chances de ser aprovado antes das eleições, com votação apenas das lideranças de bancadas.

O QUE MUDA:
O projeto modificaria, por exemplo, o mandato dos conselhos para dois anos. Hoje, os mandatos são de três anos, sendo renovados anualmente a partir do quarto ano da primeira gestão. A estrutura é questionada pelos músicos, porque acaba favorecendo a permanência das mesmas pessoas por muitos anos. A composição dos conselhos interfere diretamente na atividade do músico profissional no Brasil porque os órgãos são os responsáveis pela expedição da carteira que autoriza o exercício da profissão em território nacional. São também os conselhos que fiscalizam e autuam as casas que contratam músicos sem a tal carteirinha.

Conforme explicou a assessoria da deputada federal Jandira Feghali (PCdoB – RJ), vice-presidente da Frente da Cultura, o principal impasse é um projeto substitutivo apresentado pelo Senado. O relator da comissão é Robson Tuma (PFL-SP), que acatou as propostas dos senadores, desviando o projeto dos interesses dos músicos.

O músico e compositor carioca Tibério Gaspar Rodrigues, representante do Fórum Nacional de Músicos, acredita que o relator está sensibilizando-se com a causa dos músicos, devido ao grande apoio e expressão que o Fórum está recebendo no Congresso e na mídia, e vai acatar as reivindicações da articulação.

“A ordem tem um problema grave e central que é a pouca representatividade que ela alcança. Ela deveria servir para regular e prover benefícios, como cursos e eventos. Mas acontece apenas perseguição, impedindo de trabalhar os músicos que não conseguem adequar-se”, afirma Du Oliveira, do Fórum Goiano de Músicos.

O produtor goiano explica que a Ordem tem uma regra que divide os músicos entre profissionais, aqueles que estudaram e sabem ler partitura, e os práticos, que apenas tocam instrumentos, sem base teórica. E apenas os profissionais têm direito a voto. Para Tibério Gaspar, o processo de eleição é extremamente viciado, e com os currais eleitorais já formados. Ele vê, por isso, a necessidade da urgente aprovação do projeto da Câmara, que pontua justamente na questão de ampliação de participação dos músicos no processo eleitoral da Ordem.

A ORDEM EM DESORDEM
Há cerca de três anos, um repórter da revista Carta Capital, mesmo sem nunca ter tido uma única aula de piano na vida, submeteu-se ao teste no instrumento e foi aprovado. O exame, realizado na escola de música Keyboard, em Jundiaí (SP), foi aplicado pelo próprio delegado regional da OMB, Marcelo Dantas Fagundes. Na noite anterior ao teste, o repórter pediu a um músico que lhe ensinasse os dois acordes (lá menor e sol) da canção “Pra Não Dizer que Não Falei de Flores”, de Geraldo Vandré.

Antes mesmo de interpretá-la, o jornalista já podia ser considerado um músico. Depois de pagar uma taxa de R$ 260,00, em dinheiro, e fornecer todos os documentos necessários para a inscrição (quatro fotos 3x4, CPF, RG, carteira de reservista e comprovante de residência), Fagundes emitiu um recibo com carimbo da OMB contendo o nº 24.321, que permitia ao repórter atuar profissionalmente como pianista. Só depois o exame foi feito, e não durou nem cinco minutos. "Toque alguma coisa", pediu o examinador. Pouco depois, o desastre musical foi interrompido pelo delegado regional da OMB com um "já está bom".

Du Oliveira, do Fórum Goiano de Músicos, diz, porém, que a luta não termina com a aprovação dessa mudança: os Fóruns têm uma proposta própria de lei. Mas a estratégia é aprovar primeiro a que tramita na Câmara há mais de 16 anos. Entre outras bandeiras do Fórum, está a luta pela inclusão de aulas de música na base curricular de todo o ensino básico.

ALIENAÇÃO DA CLASSE
“Estamos em uma campanha muito ampla. Sempre houve uma forte dispersão da classe. A imagem do músico é aquela da figura boêmia, do desinformado, de carreira passageira. Nos anos sessenta, pessoas mais esclarecidas como Edu Lobo, Tom Jobim, Geraldo Vandré, Chico Buarque trouxeram novos pensamentos para além da música. Então veio o golpe. Todas as lideranças foram caçadas. Tornamo-nos submissos. E aprofundou-se o processo de alienação em todo o Brasil”, acredita Tibério Gaspar.

O carioca entende que os tempos mudaram e a Ordem ficou para trás, com uma regulamentação de 1960. Ele entende que a OMB poderia atuar em questões como a facilitação de importação e financiamento de instrumentos, sistemas previdenciários e de saúde, a questão de educação dos músicos e do ensino da arte nas escolas.

“O país vive uma situação trágica. Temos que pensar os problemas como um todo, que resultam em desigualdade social. E a música pode contribuir demais nesse processo de inclusão e tomada de consciência. Mas, no geral, ela tem servido apenas para dançar, uma dança alienante. Temos que resgatar o papel político do músico. O artista de vanguarda que forma e informa com a sua expressão”, pontua Tibério.

FORA DE ORDEM
Em março, o Fórum Carioca de Músicos promoveu um grande show público, intitulado Fora de Ordem, que conseguiu atrair novos produtores culturais e entidades da sociedade civil organizada para apoiarem a luta dos músicos. Com essas articulações, o Fórum Nacional está conseguindo envolver a mídia, parlamentares e a sociedade.

“Como é que morre Guilherme de Brito (sambista carioca que faleceu na semana passada) e nós temos de fazer uma vaquinha para poder enterrá-lo? Isso é um absurdo. Uma das maiores referências do samba carioca, parceiro poeta de Nelson Cavaquinho, morreu na miséria. Estão trucidando a nossa memória. Parece que plastificaram tudo com esses americanismos, essa falta de consciência, de pensar no outro”, conclui o carioca, que afirma que o ministro da Cultura, Gilberto Gil, está ajudando na articulação das mudanças.

DESVIO DE ROTA
A Ordem dos Músicos do Brasil nasceu em 1960, por Juscelino Kubitschek, no mesmo ano da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). O primeiro presidente foi perseguido politicamente. O atual presidente, Wilson Sândoli, delatou seu único antecessor como comunista. Sândoli assumiu a Ordem, então, como interventor, em 1964. Em 2006, ainda preside a entidade.

Hoje, no quadro dirigente, não há nomes expressivos sob o ponto de vista artístico. Ao ser criada, em 1960, os conselhos regionais e federal eram compostos pela fina-flor da música, gente como Heitor Villa-Lobos, Radamés Gnatalli e Francisco Mignone. O idealizador da OMB foi o paraibano José de Lima Siqueira que, ao falecer, na cidade do Rio de Janeiro, em 1985, além de óperas, cantatas e concertos, deixou um currículo de agitador cultural. Compositor, regente, professor e musicólogo, Siqueira criou e dirigiu três orquestras - a Sinfônica Brasileira, a Sinfônica do Rio de Janeiro e a Sinfônica Nacional.

Por outro lado, todo o poderio político de Sândoli é inversamente proporcional ao de sua carreira artística. Ele atuou como crooner de algumas casas noturnas no Centro de São Paulo, entre os anos 50 e 60. O presidente da OMB diz ter gravado um disco em toda a vida, que nunca ninguém sabe qual é, conforme reportagens publicadas na grande imprensa.

A OMB possui cerca de 50 mil inscritos em todo o país. Desses, pouco mais de 8 mil estão em dia com as anuidades. Em fevereiro de 2000, o departamento jurídico do Conselho Regional de São Paulo emitiu uma carta cobrando os inadimplentes e informando que aqueles que não quitassem seus débitos ficariam automaticamente suspensos do exercício profissional.

QUEM PRECISA DE ORDEM?
Nos últimos anos, centenas de músicos conquistaram na Justiça o direito de atuar profissionalmente sem a licença da OMB. Pernambuco foi um dos primeiros estados que conseguiu articular os artistas em defesa do artigo 5º da Constituição, que garante em seu parágrafo 9º: “é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença”.

A banda recifense Mundo Livre S/A chegou até a lançar uma música/manifesto, “Muito Obrigado”, no álbum “O Outro Mundo de Manuela Rosário”. A composição narra uma fábula na floresta onde passarinhos que cantavam livremente foram coibidos pelos urubus que decidiram regulamentar o setor.

Entre os refrões que questionavam “quem precisa de ordem para cantar?”, Fred Zeroquatro deixava o recado: “Moral da história – em terra de urubus diplomados, não se ouve o canto dos sabiás”.

Carlos Gustavo Yoda – Carta Maior

4.8.07

"Guerra e Paz", de Candido Portinari, completa 50 anos

O Senador Inácio Arruda apresentou requerimento instituindo 2007 como o ano do cinqüentenário dos painéis Guerra e Paz, do pintor Candido Portinari, instalados na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, nos Estados Unidos, em setembro de 1957.

Os painéis foram um presente do governo brasileiro para a sede da ONU. A obra traz um diálogo entre o trágico e o lírico, entre a fúria e a ternura, entre o drama e a poesia. Com 14 metros de altura e dez metros de largura, os painéis levaram cerca de nove meses para ficarem prontos, representando um grande esforço para Portinari que, intoxicado pelo uso das tintas, fora proibido pelos médicos de pintar.Mesmo diante da ameaça à sua própria vida, não recuou, aceitando o desafio.

Também está prevista uma exposição, programada para o próximo mês de setembro, denominada Guerra e Paz - 50 Anos, que apresentará, no mesmo espaço onde se encontram os monumentais murais, uma seleção composta por 40 estudos, esboços e as duas maquetes, que poderão ser vistos pela primeira vez ao lado dos murais, além de documentos históricos, textos e imagens que contextualizarão a mostra.

Inácio explica que a iniciativa se deve à importância da obra do pintor paulista para a humanidade. “Das mãos de Candido Portinari, nasceram as imagens que denunciaram a violência e exaltaram o amor e o entendimento. A temática da Paz permeou toda a sua vida. Através de sua obra, Portinari lutou tenaz e corajosamente em favor da paz e contra todas as formas de injustiça”, destacou.

Pescado do Portal www.vermelho.org.br

25.7.07

ACUAS promove recital do pianista Daniel De Vito

Meus compadres e comadres.
Em parceria com o SESIMINAS, a ACUAS promove no dia 26 de agosto, às 20 horas, no Auditório do Centro Cultural José Maria Barra, recital de piano com Daniel De Vito, Bacharel em Música pela UnB (Universidade de Brasília) que apresentará obras de Beethoven, Nepomuceno, Ravel, Scriabin e Liszt.

A Associação Cultural Antenógenes Silva – ACUAS é uma entidade que atua no desenvolvimento de projetos culturais, ao mesmo tempo em que promove ações de preservação e resgate da memória histórica, cientifica e cultural.

Realiza atividades pertinentes à defesa, ao incremento e à produção de cultura, artes, pesquisas e estudos científicos e técnicos.

A ACUAS é também mantenedora da Orquestra de Uberaba, ACUAS-Ensemble, ACUAS-Quinteto e grupos camerísticos de música erudita e popular.

Visa ainda propor, organizar e desenvolver projetos sócio-culturais e espetáculos públicos através de parcerias com os poderes públicos, empresas, instituições ou entidades.

OUTRO EVENTO
No dia 1º de setembro a parceria ACUAS-ROTARY-SESIMINAS realiza no auditório do Centro Cultural José Maria Barra apresentação da Orquestra Jovem de Cordas do Centro Cultural Campos Elíseos de Ribeirão Preto, sob a regência deste que vos escreve, em comemoração ao 70º aniversário de fundação do Rotary na cidade de Uberaba.
O evento marcará também o lançamento do projeto Rabeca Sapeca que visa promover a inclusão social e cultural de jovens através de ação arte-educativa.

Contatos:

Fone:(34) 3076 1477
E-mail: acuas.ura@gmail.com
Página da ACUAS (provisória)
http://acuasura.blogspot.com

Nossa logo foi idealizada e construída pelo nosso compadre Christiano Paiva que é também diretor da ACUAS

15.7.07

Secretários estaduais imprimem força por uma política nacional

Com grande representatividade, segunda assembléia do Fórum Nacional de Secretários Estaduais da Cultura, ocorrida em São Paulo, articula apoio à aprovação do projeto de aumento do repasse para a cultura e cobra espaço político no MinC. TV Pública entra na pauta e secretários do nordeste lançam Carta de Fortaleza, por uma política cultural comum para a região.

O Museu da Língua Portuguesa e o Itaú Cultural sediaram, nos dias 5 e 6 de julho, a segunda assembléia geral do Fórum Nacional de secretários e dirigentes estaduais da cultura. O encontro contou com a presença de 25 dos 27 estados da federação, além dos Secretários do Ministério da Cultura (MinC) Sérgio Mamberti (Diversidade e Identidade), Alfredo Manevy (Políticas Culturais) e Mario Borghnet (Assessor Especial do Ministro).

Dentre as pautas, a discussão de determinadas políticas do MinC, principalmente relacionadas às secretarias federais presentes, o Plano Nacional de Cultura (PNC), a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 150/2007 – que institui o aumento do repasse de verbas para a cultura – e a TV Pública, prestes a ser regulamentada.

Postados em uma grande mesa, os secretários iniciaram os trabalhos ouvindo a explanação do Secretário de Diversidade Cultural do MinC, Sérgio Mamberti, que lembrou as políticas desenvolvidas por sua pasta, em especial, aquelas voltadas aos negros, índios, movimentos populares e de diversidade sexual, além das demais minorias.

O secretário destacou a relevância da Convenção da Unesco, que “consagra a importância da diversidade e da proteção das culturas populares e tradicionais, preservando-as da violência cultural e da homogeinização”. Além disso, respondeu às indagações dos secretários, afirmando reiteradas vezes a necessidade do pacto federativo para a transversalidade das políticas culturais. “A questão da junção dos editais, do MinC com os estados, já é um grande avanço nesse sentido”, colaborou o secretário de Alagoas, Osvaldo Viegas.

Nessa linha, o secretário do MinC, Alfredo Manevy, ressaltou a importância do Fórum para a política de horizontalidade do MinC que, segundo ele, mantém uma relação “tranqüila e sem crise” com os secretários. De acordo com Manevy, o Fórum exerce um papel fundamental para as políticas setoriais do MinC, para o desenvolvimento dos gestores e produtores regionais e para a regionalização da cultura em todas as suas esferas e instâncias. No entanto, é preciso que ele desenvolva as suas próprias agendas.

No entanto, mesmo com a chancela do MinC, o tom dessa assembléia foi de cobrança por mais espaço nas suas esferas de decisão política. O atual presidente do Fórum, João Carlos Ferreira, secretário de Cultura do Mato Grosso, evidenciou essa movimentação, que ganhou corpo com a maior articulação dos estados. “O Fórum representa a base cultural do país, pois abrange os estados e municípios que os compõem. Queremos ter mais voz no MinC, não apenas sendo ouvidos, mas participando da elaboração das políticas de cultura”.

Algumas vozes, inclusive, eram mais incisivas nessa cobrança, como a da secretária de Minas Gerais, Eleonora Santa Rosa, que reclamou da falta de partilhamento orçamentário dos estados com o MinC e a ausência de cooperação nos programas. “É preciso que os Estados, legitimamente representados nesse Fórum, sejam construtores efetivos da política com o MinC”, discursou ela, para quem é preciso uma maior interlocução político-institucional com o Ministério.

A despeito disso, o aceno é otimista: “as discussões, a comunicação com o MinC está num processo ascendente”, diz o presidente do Fórum, que surgiu em 1983 e possui um assento na Comissão Nacional de Incentivo à Cultura (CNIC), responsável pela aprovação dos projetos concorrentes na Lei Roaunet.

Articulação para a PEC 150/2007

Alguns pontos de convergência eram claros na mesa de discussão. O principal, veementemente declarado pelo secretário do Mato Grosso, era a aprovação da PEC 150/2007. “É objetivo do Fórum a aprovação da PEC. Faremos barulho para que isso aconteça e o ideal é que todos os secretários participantes encampem a iniciativa”, pontua o presidente da articulação.

A PEC 150/2007 prevê a vinculação institucional de verbas para a cultura de no mínimo 2% para a União, 1,5% para os Estados e 1% para os municípios, visando à implementação das políticas de cultura nessas três esferas - sabe-se que o repasse atual para a cultura, do Orçamento Geral da União, é de 0,7%. Na ocasião, a PEC foi apresentada pelo deputado federal Frank Aguiar, um dos proponentes do projeto na Câmara dos Deputados.

Uma frente parlamentar está se formando para aumentar as possibilidades de aprovação dessa PEC. Atualmente, 294 parlamentares assinaram a lista que compõe a frente parlamentar da cultura na Casa, ainda circulante para mais adesões. Esse movimento vem sendo catalisado pelo Fórum, conforme o seu presidente, que também pretende, com a frente, obter mais apoio para participar da elaboração do Plano Nacional de Cultura, em processo de confecção pelo MinC.

Para Manevy, essa articulação faz sentido ainda, pois “o PNC não substitui o planejamento estadual de cada estado, mas influencia e se influencia pelas políticas estaduais e municipais”. “Os secretários do Fórum estão chamando para si a responsabilidade de trabalhar a sua base parlamentar para alcançarmos esse objetivo.”, declarou João Carlos Ferreira.

A Carta de Fortaleza

Durante o Fórum, foi distribuído um documento denominado Carta de Fortaleza (leia na íntegra). Nele, os secretários de cultura alinhavam-se em torno de uma visão comum de políticas culturais para a região do nordeste e mostravam uma articulação inédita para o setor. Assinado pelas nove secretarias estaduais de Cultura do nordeste, eles declaravam o “acerto do processo de construção da Política Nacional de Cultura (...) assim como a importância do Sistema Nacional de Cultura para a articulação equilibrada dos entes federativos”. Além da mobilização dos seus parlamentares para a aprovação da PEC 150/2007.

O secretário da Bahia, Márcio Meirelles, deixou clara a necessidade de união dos estados em torno de uma linha de atuação e de um calendário integrados. “Historicamente, o nordeste é segregado, e isso criou não só uma identidade entre os estados, mas problemas e reivindicações comuns”, afirmou em entrevista o secretário, que também declarou uma afinidade ideológica entre os vizinhos – todos os nove governos do nordeste são do PT ou da base aliada.

A visão é compartilhada por Osvaldo Viegas, secretário de Alagoas, que pontuou ainda a importância de reforçar a articulação horizontal, a democratização do acesso e a distribuição dos recursos públicos.

Atestando a robustez dessa união, a Carta de Fortaleza oficializa também a criação da Rede Nordeste de TV’s públicas. Conforme a fala dos secretários, a idéia seria criar musculatura aos setores regionais com pouca capacidade de produção, em uma área midiática ainda fortemente ligada ao colonato. Um reforço político de ajuda mútua no setor, ainda arcaico em muitas localidades, sem grande abrangência e obsoleto tecnicamente.

Essa rede já conta com a adesão de quatro canais de televisão e inclui o compartilhamento de produção entre cinema e televisão pública, inclusive com cartas de co-produção, e espaço para a produção independente.

Com relação à novidade, umas das poucas manifestações do secretário de cultura de São Paulo foi indagar o porquê de o nome não ser “rede Brasil”, já que “rede nordeste” poderia trazer uma nuance de “discriminação” dos outros estados.

TV Pública e os estados

A TV Pública Federal foi outro tema amplamente discutido no encontro. A explanação do projeto governamental da TV Brasil ficou a cargo do assessor especial do MinC, Mario Borghnet, que trouxe a necessidade de pactuação dos estados com o projeto, cuja discussão alcança cerca de um ano e meio, e as expectativas do MinC para com os estados na área.

Borghnet explicou que a TV Brasil deve ter “uma espinha dorsal, mas não uma estrutura verticalizada”, ter o papel de catalisador da produção das próprias TV’s estaduais e, assim, tornar-se um veículo de ampliação dos protagonismos locais, inclusive com a programação advinda dos próprios estados. Avalia que pode ser uma plataforma importante para o ganho de escala das políticas culturais estaduais, além de um instrumento de comunicação de governo, no exercício da “interface comunicativa entre as esferas governamentais”.

Além disso, para o MinC, a TV Pública é essencial no deslocamento da pasta da cultura para o centro da política governamental e a sua expectativa é que as secretarias estaduais contribuam para a construção do discurso e da plataforma para essa centralidade. “É papel central das secretarias estaduais agir pela mobilização dos pólos regionais”.

Quanto à política de comando das TV’s públicas, Borghnet conclama os estados a seguirem o modelo federal e entregarem o comando das TV’s estaduais à sociedade. E ressalta a necessidade de que as secretarias estaduais coordenem seus municípios para o processo de migração digital, que está na iminência de ocorrer.

Borghnet termina destacando a importância da mudança de visão também na programação: “Para a TV pública, o telespectador não é um consumidor. As demandas são outras, o tipo de relação é outro. Ele não pode ser um receptor de conteúdo, mas sim interagir. A audiência deve ser construída com outras bases, que não a publicidade”.

Guilherme Varella cobriu o Fórum para 100canais, parceiro de Carta Maior.

14.7.07

Meus compadres e comadres:

É a sexta edição deste evento onde serão debatidos temas como a conservação e uso sustentável do cerrado, o aproveitamento dos frutos do cerrado, políticas públicas voltadas para as culturas regionais, além de apresentações de grupos tradicionais da cultura popular e shows.

Haverá, também, feira de artesanato local e regional, oficinas de confecção de vassouras com garrafas pet, artesanato com material reciclado e teatro. Os interessados deverão credenciar-se durante o evento.

A abertura oficial foi ontem sexta-feira (13).

Confira a programação do VI Encontro dos Povos do Grande Sertão Veredas.

Informações pelos contatos:
Meiry Gobira, Neide Oliveira, Ângela Artmamm
Telefone: (38) 3634.1152
Fax: (38) 3634.1112
E-mail: adiscchapada@hotmail.com

6.7.07

Diversidade Cultural

Seminário internacional reuniu países americanos para debater diversidade cultural no mundo e nas Américas, comunicação e convergência digital, economia da cultura e setores estratégicos, e globalização e cultura.

A Convenção pela Promoção e Proteção da Diversidade das Expressões Artísticas, adotada em outubro de 2005 na Unesco, foi ratificada em tempo recorde e já conta com a adesão de quase 60 países. Hoje, as culturas locais, excluídas da indústria cultural de massa, contam com um fortíssimo instrumento de luta e defesa dos desejos de suas vidas (“dj's de suas vidas”, como prefere o ministro Gilberto Gil). Mas, entre um documento assinado e a implantação de políticas públicas que garantam esse direito, um longo caminho de debates e práxis há de ser percorrido.

Entre os dias 27 e 29 de junho, Brasília sediou o Seminário Internacional sobre Diversidade Cultural – Práticas e Perspectivas. Promovido pela Organização dos Estados Americanos com o governo brasileiro, os debates que tiveram início em fóruns públicos virtuais, foram divididos entre diversidade cultural no mundo contemporâneo, diversidade cultural nas Américas, comunicação e convergência digital, economia da cultura e setores estratégicos, e globalização e cultura.

Todos os países do continente, menos Cuba (que não integra a OEA por embargo econômico), tiveram a oportunidade de apresentar seus projetos e políticas. Com as políticas que estão sendo implantadas no Brasil, como o Programa Cultura Viva, o Ministério da Cultura coloca-se como liderança e contraponto na balança da OEA contra a política mercantil e de massa dos Estados Unidos. O país norte-americano que, com Israel, votou contra a aprovação da Convenção, apresentou suas perspectivas no seminário através de uma representante da Discovery.

Democracia Cultural
O sociólogo e editor do periódico francês Le Monde Diplomatique, Ignácio Ramonet, afirma que os EUA preferem fazer concessões em outras áreas, mas não arredam o pé quando a discussão é sobre bens culturais. Ele entende que “soberania política e soberania cultural estão interligadas” e o assunto central da diversidade cultural refere-se à democracia.

Ramonet, na aula inaugural do Seminário, lembrou o caso da China, para explicar como os Estados Unidos tratam as questões culturais. O congresso estadunidense ainda não ratificou um acordo bilateral com a China, pois os chineses permanecem inflexíveis em fazer concessões sobre questões de propriedade intelectual, entre outros pontos que se referem a bens simbólicos.

O pensador francês lembra também que o consenso midiático, controlado pelas indústrias da cultura e do conhecimento, considera qualquer tipo de regulação do setor uma forma de censura. Exemplo claro, diz ele, é o caso da Venezuela, onde leis de responsabilidade para os meios de comunicação de massa exigem ao menos de 50% de músicas venezuelanas nas rádios e mínimo de cinco horas diárias de conteúdo que valorize a cultura nacional.

Recentemente, a não renovação da concessão da emissora RCTV, que participou da articulação do golpe contra o governo bolivariano de Hugo Chávez em 2002, causou rebuliço da mídia e do governo dos EUA e de seus agentes externos, os grandes jornais de todo o mundo. “Os Estados Unidos têm de fazer sua lição de casa antes de falarem qualquer coisa. O modelo de liberalismo financeiro que eles têm como modelo de globalização não garante diversidade”, pontua o escritor. A população do mundo dos sonhos hollywoodianos é dividida em sua grande parte por brancos, negros e latinos. Hoje, apenas 1,9% das concessões de rádio representam os latinos, os negros ficam com 3,2% do bolo midiático e as mulheres estão representadas em 6%.

“Em Quebéc, no Canadá, país decisivo na articulação da Convenção, políticas como a que proíbem qualquer propaganda pública que não seja em francês já estão funcionando e mexendo com a vida das pessoas. Não pode nem ser bilíngue. Essas medidas devem causar grandes impactos nas culturas locais daqui a um tempo”, pontua Ramonet.

Mercantilização da Cultura
Para o pensador francês, as expressões culturais ainda são tratadas como mercadoria e administrada por grandes conglomerados que atuam mundialmente, o que inviabiliza o processo democrático e o direito de comunicação humana. “Os Estados Unidos, assim como outras indústrias de outras matrizes, vendem primeiro a sua cultura liberal e seu american way of life para depois comercializar os seus jeans e outros produtos relacionados.

“Tudo é mercadoria: a escola, a saúde, a natureza, a cultura, o conhecimento. Então, tudo deve ser submetido à lei da oferta e da demanda. A mercantilização da cultura ameaça a criatividade e a identidade de comunidades. É por isso que a questão da diversidade torna-se central, e a batalha pela diversidade cultural é capital na luta contra a globalização liberal”, conclui Ramonet..

O ministro da Cultura Gilberto Gil entende que é impossível falar em modelos políticos prontos para promover e proteger as expressões culturais: “A diversidade exige novas políticas para estancar as feridas de toda a mercantilização predatória e descontrolada dos nossos bens culturais”. Referindo-se à contradição do espaço de debates abrir espaço até mesmo para a exposição da política dos Estados Unidos, que curiosamente foi apresentada por uma representante da megacorporação Discovery Communications.

O auge da apresentação de Mary Pitelli foi a exibição de vídeos educacionais produzidos pela Discovery Atlas que serve de material básico na educação pública estadunidense sobre o mundo. As peças publicitárias destacam as opções turísticas mundializadas, da capoeira em Salvador a um estranho ator pintado de aborígene australiano.

O intelectual espanhol Jesus Matín-Barbero, que abriu a mesa onde foi exposta a proposta, lembrou que a chave da diversidade é preservar a criatividade humana, mas os sistemas educacionais de todo o mundo estão “castrando a criatividade”. “Os jovens estão anos-luz à nossa frente. Eles já nascem com o chipe do compartilhamento do conhecimento (saiba mais sobre Cultura Livre)”, considera.

Barber lembrou como no México a inclusão digital do sistema público de educação segue a cartilha da Macintosh: “Não é possível que a escola pública, que está conectada com as culturas locais e suas necessidades específicas, seja incapaz de pensar seus próprios métodos e políticas. Essas empresas não estão ajudando comunidades locais, elas estão matando aos poucos o jeito das pessoas de serem e interagirem com o mundo”.

O ministro Gilberto Gil, que integrou a mesma discussão, lembrou que outro mundo é possível, citando Revoluções do Capitalismo, do italiano Maurício Lazzaratto. Para Gil, “the culture hotspots (os pontos de cultura, do Cultura Viva) invertem a lógica liberal da cultura”. Lembrando os pensamentos de Milton Santos, o ministro afirma que há necessidade de vivermos a fase popular da História, que está em construção nas periferias globais.

“É preciso recentralizar o que está centralizado nas mãos de poucos. As matrizes da indústria cultural não deixaram nada para as periferias. Por isso, hoje, o papel do Estado brasileiro na formulação de políticas públicas é empoderar as micro manifestações, para que eles se apropriem cada vez mais dos espaços públicos e que sejam protagonistas na proteção e promoção da diversidade”, entende Gil. Além disso, Gil acredita que essas comunidades têm até mesmo a oportunidade de pular o século XX e a sua lógica mercantil e liberal, propondo novos modelos de desenvolvimento.

Carlos Gustavo Yoda

3.7.07

Bateu Asas e Voou

Que tristeza abateu sobre todos nós neste final de semana. Perdemos o nosso irmão, cumpadi e amigo, Wanderley Cazon de Melo, o Canarinho. Bateu asas e vôou antes do combinado.
"Voa, amigo querido.
Voa, amigo fiel,
Que os anjos te acompanhem,
Nesta jornada p’ro céu.
Pois aqui, mais que sentida,
Tua inesperada partida
Deixa um vazio cruel".

30.6.07

TraVeSsiA Na Capela da USP

Meus compadres e comadres.
Dia 28 de junho eu e meu amigo e violonista Antônio de Vito realizamos a Travessia dentro da USP, mais precisamente no projeto "Capela Meio Dia e Meia."

Fizemos alí naquele espaço cultural agasalhador uma cantoria de rabeca repleta de causos, poesias caboclas e literatura de cordel.

Nossos agradecimentos ao Lelo que propiciou todas as condições para que a Travessia pudesse se dar de forma ideal; ao querido Evandro Navarro, o Véio, que com sua pesada bagagem musical também embarcou em nosso trem e soube com esmero e arte adequar a sonoridade de nossos instrumentos aos ouvidos do público-passageiro, a quem gostaríamos também de agradecer.

Desta forma então realizamos a Travessia para dentro de nossas raizes culturais e ao final da viagem temos a certeza de que saimos mais fortalecidos de que quando entramos.

Tomara que a Travesia tenha deixado sua marca gravada no coração brasileiro de cada um que alí compareceu.

Inté a próxima.

25.6.07

TRaVeSsiA

DO ROMANCEIRO À VILLA-LOBOS

Meus compadres e comadres.
Gostaria de convidar a todos para assistirem ao show Travessia nesta quinta-feira, 28 de junho, às 12:30 horas, na capela da USP.

Esta apresentação terá a participação especial do violonista Antônio De Vito que apresentará também obras solo de Antônio Lauro (Venezuela), Villa-Lobos (Brasil), Agustin Barrios (Uruguai), entre outros.

Nosso espetáculo aborda a cultura popular brasileira desde a vinda do romanceiro ibérico que se divulgou também nas partes de colonização espanhola na América.

Nossa cantoria de rabeca e violão terá também músicas de Zé Côco do Riachão, Antenógenes Silva, Beira D'Água; poesias caboclas de Zé Laurentino e Pompílio Diniz; e cordel de José Pacheco e do maior de todos os poetas populares: Leandro Gomes de Barros.

Gostaria de agradecer ao meu compadre Evandro Navarro e também ao Lélo pelo convite feito.

TRAVESSIA: Do Romanceiro à Villa-Lobos
Jeziel Paiva: rabeca, viola de arco, causos, poesias caboclas e cordel
Antônio De Vito: Violão
Local: Capela da USP
Horário: 12:30 horas
Entrada franca


Inté.

20.6.07

39º Festival de Inverno da UFMG

Agência FAPESP – Estão abertas até 30 de junho as inscrições para o 39º Festival de Inverno da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que será realizado de 15 a 28 de julho, em Diamantina (MG).

O evento, que terá o tema "Territórios Contemporâneos: Linguagens Híbridas", contará com a realização de oficinas, mostras, exposições, instalações e workshops.

Artes audiovisuais, artes cênicas, artes plásticas, artes literárias, artes musicais e artes transdisciplinares serão as áreas temáticas do encontro.

Mais informações: http://www.ufmg. br/festival

18.6.07

Orquestra Jovem nos 151 anos de Ribeirão Preto

Meus compadres e comadres.
Neste 19 de junho quando Ribeirão Preto faz 151 anos o Centro Cultural Campos Elíseos participa dessa festividade. Seus grupos musicais de alunos estarão se apresentando no Teatro de Arena e no Teatro Municipal à partir das 10 horas da manhã. Gostaria de convidar a todos para assistirem nossas apresentações e da Orquestra Jovem do Centro Cultural, da qual faço parte como maestro e professor, que apresentará um repertório muito bonito com obras de Villa-Lobos, Ernani Aguiar, Luiz Gonzaga, entre outros. A meninada está tocando como gente grande. Nossa apresentação está prevista para as 10:30 no Teatro de Arena. Não percam!

16.6.07

A Saga das Mãos

Meus compadres e comadres

Ontem foi uma noite especial para muitos e especialmente para mim e meu companheiro de militância cultural Antônio De Vito. É que o SESI trouxe à Ribeirão Preto a Bachiana Chamber Orchestra, regida pelo grande músico João Carlos Martins que se apresentou no Theatro Pedro II.

Na oportunidade foi exibido um filme mostrando aos presentes a maquete do Teatro Popular do SESI que será construído brevemente em Ribeirão Preto.

Foi uma noite muito agradável, pois pude rever velhos amigos entre eles Ênio Antunes Santos, integrante da Bachiana Chamber Orchestra e velho companheiro de jornada desde os tempos da Bahia e dos Festivais de Verão de Uberaba na década de 80.

João Carlos Martins é uma figura carismática, extremamente agradável e simpática. Um contador de causos. Levados ao seu camarim por Ênio Antunes, o famoso Brejeiro, eu e Antônio de Vito fomos recebidos pelo maestro como se fôssemos velhos conhecidos dele. Estávamos diante do maior interprete do maior compositor da história da música.

“Pouca gente, no Brasil, tem tanta afinidade com Bach quanto João Carlos Martins. Em seus tempos de pianista, ele gravou toda a obra para teclado do compositor alemão. Na sua nova carreira de regente, ele montou uma orquestra, sintomaticamente, chamada de Bachiana Chamber Orchestra. E seus dois primeiros lançamentos fonográficos como maestro contemplam, não por acaso, obras de Bach: as Suítes Orquestrais e os Concertos de Brandemburgo.

Uma tarefa relativamente simples para um intérprete que começou a tocar Bach, ao piano, aos oito anos de idade, e sete meses depois já vencia o concurso da Sociedade Bach de São Paulo, tocando as Invenções a Duas Vozes do mestre do barroco alemão.

Teve vários "momentos bachianos" memoráveis, mas se lembra com especial nostalgia da apresentação de inauguração do Glenn Gould Memorial, em Toronto, em março de 1983, pouco tempo depois do falecimento do pianista canadense.

"Entrei no palco, com uma recepção fria", recorda. Depois, o público foi sendo ganho, gradativamente, e, no final, com Artur Moreira Lima e Emil Gilels na platéia, João Carlos Martins deu um número recorde de bis: nada menos que 14. "O pai do Glenn Gould veio me dizer que o filho dele me admirava", lembra, emocionado”.

Mas o que emocionou a todos ontem no Theatro Pedro II foi rever João Carlos Martins sentado ao piano e tocando com três dedos (dois da mão esquerda e o polegar da mão direita).

Para quem não sabe, o mestre foi vitimado por alguns traumatismos físicos que lhe causaram atrofia dos movimentos dos dedos impondo-lhe uma luta constante e dolorosa de superação. Depois de reger a orquestra tocou ao piano divinamente músicas de Bach, Tom Jobim e o Hino Nacional acompanhado por seus músicos.

Sua saga é mostrada em documentário feito para o cinema por Irene Langemann numa produção franco-alemã.

E seu livro “A Saga das Mãos” pode ser adquirido em seu site www.joãocarlosmartins.com.br

Ricardo Feltrin, Editor-chefe da Folha Online escreveu o artigo que publico a seguir.

"A Paixão Segundo Martins" ilumina o maior dos pianistas brasileiros

Além de ser um dos mais belos documentários sobre músicos já realizados no cinema, "Paixão Segundo Martins" também poderia ser definido como uma história de amor ou mesmo um drama.

É a história de amor de João Carlos Martins por Johann Sebastian Bach e pianos. É o drama de um pianista em permanente luta contra o destino e a dor, que teimam em maltratar seus bens mais preciosos, suas mãos.

Há várias qualidades que tornam imprescindível essa produção franco-alemã de Irene Langemann sobre o maior pianista brasileiro de todos os tempos. Sim, ele foi superior ao que Nelson Freire é embora o estilo sejam totalmente diferentes.

A primeira qualidade é o personagem em si. João Carlos Martins é uma figura tão carismática e brilhante que qualquer período de sua vida poderia ser transformado num documentário em separado.

Suas idiossincrasias durante as gravações; seu jeito louco de ensinar; sua obsessão em treinar ao teclado até 20 horas por dia, inclusive sábados, domingos e feriados; seu prazer pessoal pelo timbre dos pianos Baldwin (e não pelos Steinway); sua coragem em enfrentar tratamentos médicos dolorosíssimos para continuar a tocar mais um pouco... tudo isso poderia ser um filme novo sobre a vida do músico.

A segunda qualidade é a trilha sonora. Afinal, estamos falando não só de um pianista genial, mas também de Bach (1685-1750) --o divisor de águas da música, o engenheiro barroco que não apenas bem temperou o cravo, mas toda a história e significado da composição.

Sem Bach, João Carlos Martins talvez não existisse.

Por fim, o maior dos atrativos do filme: a sinceridade do músico, a forma com que ele abre sua vida e seus sentimentos à câmera, bem como assume seus erros, como o envolvimento de sua empresa Pau Brasil numa das campanhas eleitorais de Maluf, ou seu fracasso emocional em vários casamentos. Nada é omitido.

Ao final, o filme emociona a platéia, que vê como o pianista ainda sente mais dor com o massacre político a que foi submetido do que com as terríveis infiltrações de botox na palma para recuperar movimentos dos dedos de uma só mão, porque a outra já estava "morta”.

João Carlos, então, reivindica justiça não para si, mas para sua obra. E mais que qualquer pessoa, é a música que o absolve. O Brasil ainda deve reconhecimento ao seu talento, significado e obra.

Um Convite Irrecusável

Mas passado o concerto e o memorável encontro com João Carlos Martins foi a vez de ciceronear meu amigo Ênio Antunes, carinhosamente chamado por mim de Brejeiro.

Fomos tomar uma, matar a saudade dos velhos tempos e fazer planos para um futuro em curto prazo.

Eu explico: Ênio Antunes tem se destacado no cenário musical brasileiro principalmente na área acadêmica onde tem se dedicado na formação e preparação de jovens instrumentistas e práticas de conjuntos. É diretor artístico e regente titular da Orquestra Antunes Câmara, coordenador pedagógico e regente adjunto da Bachiana Jovem e professor e regente titular da Camerata FAAM (Faculdade Alcântara Machado).

É o idealizador do projeto “Arte do Som – Escola e Estilos” que acontece em São Paulo capital. Segundo ele esse projeto é um suporte na formação musical e profissional dos estudantes de música com foco nas manifestações culturais e principalmente no entendimento da estética musical.

Além das aulas e trabalhos de pesquisas são realizados workshops dirigidos por professores e artistas de reconhecimento internacional com objetivo de desenvolver o aprendizado da forma mais ampla considerando a compreensão de estilos, formas e características interpretativas da música dos mais diferentes períodos históricos.

Pois bem. Eu precisei relatar isso para dividir com meus compadres e comadres minha alegria de ter sido convidado por Ênio Antunes para me apresentar em São Paulo dentro de seu projeto.

Fiquei feliz por dois motivos: um de ter recebido do mestre Ênio Antunes o reconhecimento por meu trabalho e outro de constatar sua preocupação com a formação cultural plena de seus alunos, pois ao estar levando a cultura popular brasileira para ser vivenciada pelos participantes do projeto demonstra sua vontade de não deixar que os vínculos culturais sejam perdidos.

As barreiras foram feitas para serem transpostas e a cultura popular com causos, poesias caboclas, cantoria e cordel vai transpondo muros e misturando a rusticidade da rabeca com a sofisticação de violinos, violas de arco e violoncelos. Isso será o resultado dessa ação artística e cultural que acontecerá em São Paulo a partir de agosto deste ano graças ao convite que me foi feito pelo professor Ênio Antunes.

15.6.07

TEIA materializa-se em Belo Horizonte em 2007

A TEIA, o maior encontro da diversidade cultural no Brasil, reunirá, em novembro, em Belo Horizonte, os Pontos de Cultura participantes do Programa Cultura Viva, do MinC, e terá centralidade, neste ano, na relação entre Cultura e Educação.

Eduardo Carvalho*

A TEIA, o maior encontro da diversidade cultural no Brasil, reunirá, em Belo Horizonte, em novembro, os Pontos de Cultura participantes do Programa Nacional de Cultura, Educação e Cidadania – Cultura Viva, do Ministério da Cultura, e terá centralidade, neste ano, na relação entre Cultura e Educação.

Em abril de 2006, realizou-se a primeira edição da TEIA, no Pavilhão da Bienal de São Paulo. A primeira celebração pública e presencial dos Pontos de Cultura, pontapé inicial de um processo de vivência e participação para a construção pública do Programa Cultura Viva. O mote “Venha Se Ver e Ser Visto” abarcou a Economia Solidária como eixo conceitual propositivo.

Naquela ocasião, já havia 443 Pontos de Cultura conveniados, dos quais 400 participaram da mostra. Hoje, já se contam 511 Pontos conveniados diretamente com o MinC e mais 168 conveniados a partir das Redes de Pontos, em um total de 679 Pontos de Cultura. No próximo encontro, a ser realizado em Belo Horizonte, entre os dias 7 e 11 de novembro de 2007, já serão mais de 800 Pontos de Cultura em todo o Brasil.

A proposta de um encontro presencial dos Pontos de Cultura corresponde aos esforços do Ministério da Cultura de construir de forma sistematizada, organizada e democrática, uma política pública de cultura para o país respaldada e orientada pelo Plano e pelo Sistema Nacional de Cultura. Desde o processo de idealização até a distribuição de atividades dos mais de 650 Pontos que deverão estar presentes, tudo busca a articulação de todos, em uma iniciativa do poder público, via os ministérios da Cultura, Educação, Trabalho e Turismo, articulada pela sociedade civil e viabilizada por patrocínios de empresas privadas e públicas. A fim de expressar esta dimensão participativa plural, o lema escolhido para a TEIA neste ano foi Tudo de Todos.

Além do encontro presencial, o Fórum Nacional dos Pontos de Cultura trabalhará virtualmente a partir da Plenária Virtual, no site da TEIA (www.teia2007.com.br). O debate determinante de relação e pensamento do futuro dos Pontos de Cultura acontece em todo o processo da TEIA sob a perspectiva da construção de plataformas democráticas de participação, tendo em vista a necessidade da conquista de autonomia, protagonismo e empoderamento da TEIA para além da construção que hoje ainda é articulada pelo Ministério da Cultura. Além da realização do encontro em si, a TEIA deste ano lança as bases metodológicas para que, em 2008, os Pontos de Cultura participem ativamente de todo o processo, desde a elaboração até a execução do projeto que determina o encontro anual dos pontos.

Os Territórios
Organizados por meio de um processo colaborativo que envolve uma rede independente de empresas culturais, os espaços que compõem a TEIA em Belo Horizonte estão divididos para abrigar, tematicamente, cinco Territórios: Expressão, Diálogo, Práxis, Trabalho e Celebração. A construção dos Territórios determina a divisão dos elementos que compõe a TEIA, não necessariamente em uma repartição espacial e geográfica, mas conceitual, simbólica.

Estes cinco campos conceituais são perpassados por temas transversais mais abrangentes, notadamente a relação entre Cultura e Educação, além da forte presença da Economia Solidária, mote da TEIA em 2006. O encontro buscará sempre aproximações entre ações que se desenvolvam com a consciência social que incorpora referências simbólicas no processo de construção da cidadania e com os processos de exploração, uso e apropriação de códigos de diferentes meios e linguagens artísticas e lúdicas nos processos educacionais, pretendendo, com isso, ampliar o acesso aos meios de formação, criação, difusão e fruição cultural por meio da ação de agentes culturais, arte-educadores, educadores de rua, artistas, professores e cidadãos que entendem a cultura no seu sentido mais amplo - como direito, comportamento e economia. Além, é claro, dos aspectos ligados à potencialização de energias sociais e econômicas para o desenvolvimento de uma cultura cooperativa, solidária e transformadora.

Os principais espaços de prática política da TEIA são os territórios do Diálogo e o da Práxis. Partindo do princípio de que as formas de fazer dos Pontos são geradoras de uma qualidade de conhecimentos ainda pouco difundidos, a intenção é partir para a tomada de consciência de que é preciso decodificá-los para articular os saberes que eles representam. Assim, é fundamental o Diálogo, como resultado de um processo de cooperação e de trabalho conjunto para construir um significado comum a todos os interlocutores.

Nessa lógica, o Seminário Internacional Saberes Vivos terá o objetivo de provocar a troca dos saberes acadêmicos com os dos Pontos. O espaço Conversê, por sua vez, será o ponto de encontro, reuniões, articulações e contatos entre os Pontos, com suporte multimídia de registro e difusão.

No terreno da Expressão, acontecerá o Fórum Nacional dos Pontos de Cultura, que reunirá todos os Pontos para desenvolver a agenda política do Programa Cultura Viva. Além disso, será organizada a Mostra ArteViva, que pretende resignificar o conceito de arte para além da visão elitista e/ou européia.

O Território do Trabalho abrigará o Mercado Criativo, um novo conceito de vitrine para os produtos provenientes dos Pontos, organizado para reuni-los pelos tipos de manufatura que desenvolvem, e não por estados, o que propiciará o melhor aproveitamento na troca de saberes. A Feira de Economia Solidária também estará presente e integrada à TEIA com um conceito ativador das capacidades produtivas dos Pontos, numa nova visão de economia e desenvolvimento para o país. Já o Palco em Obras será uma das grandes atrações de público, unindo em apresentações artísticas músicos consagrados em diálogo com artistas dos Pontos.

E o último fio da TEIA é o da Celebração. Nele, o Circo Brasil será um palco aberto e administrado pelos Pontos para manifestações artísticas dos Pontos de Cultura. Uma programação especial promete ainda uma grande Parada da Diversidade Cultural e a elaboração do Circuito Cidade Viva, a fim de promover a integração da cidade e de sua população com os visitantes de todos os cantos do país. Um restaurante será especialmente montado para alimentar os mais de 5 mil agentes culturais que participarão do evento.

Belo Horizonte, capital mineira, foi escolhida para acolher o maior encontro da diversidade cultural no Brasil por concentrar, em uma área pequena, os necessários aparelhos culturais para garantir a proposta de Tudo de Todos, acolhendo os diversificados tipos de atividades que comporão o encontro presencial dos Pontos de Cultura. Oito locais na região central do município formarão um amplo corredor cultural, ocupando a Casa do Conde, a Estação do Conde, o Centro Cultural UFMG, a Praça da Estação, o Museu de Artes e Ofícios, a Serraria Souza Pinto, o Teatro Francisco Nunes e o Palácio das Artes.

(*) Além de editor de Arte & Cultura na Carta Maior, Eduardo Carvalho também coordena o trabalho do 100canais - núcleo editorial de jornalismo cultural independente, parceiro de Carta Maior e responsável pelo conteúdo do site da TEIA.

12.6.07

"Lei de Incentivo é sistema perdulário e injusto"

Meus compadres e comadres. Abaixo transcrevo entrevista de Yacoff Sarkovas ao Portal Carta Maior onde fala sobre leis de incentivo à cultura

Ele diz que "Lei de incentivo é sistema perdulário e injusto", e acusa o Ministério da Cultura de ter organizado fóruns pelo Brasil para discutir apenas mudanças cosméticas na lei, pois não quis enfrentar lobbies midiáticos.

Por Edson Wander

A incapacidade e até mesmo a perversidade do sistema de leis de incentivo baseadas em renúncia fiscal é uma noção que cresce de maneira inversamente proporcional à capacidade dos agentes públicos de mudá-lo. Além de perversas, as leis de incentivo são perdulárias, injustas e deseducam o empresariamento no trato do apoio cultural. Esse diagnóstico das leis de incentivo cultural no Brasil é de Yacoff Sarkovas, especialista e consultor de empresas na área de imagem corporativa e projetos culturais, sociais, ambientais e esportivos. Crítico mordaz da legislação que trata cultura como objeto de renúncia e até lucro fiscal subreptício, Sarkovas é o nome por trás da reengenharia dos programas culturais de empresas como Petrobras e Natura. Engenheiro eletrônico que passou a trabalhar no meio cultural, Sarkovas falou à Carta Maior sobre o quadro atual da legislação de fomento à cultura no Brasil e revelou, entre outras coisas, que o Senado discute um projeto que pretende revalidar a legislação de incentivos culturais via renúncia fiscal, que caducou ano passado. Leia os principais trechos da entrevista:

CARTA MAIOR - O que há de errado com as leis de incentivo à cultura no Brasil?

YACOFF SARKOVAS - É melhor começar perguntando o que há de certo, porque só há uma coisa certa nas leis de incentivo que é a transferência de dinheiro público para a cultura. Isso é positivo porque a cultura é uma questão de interesse público e, portanto, precisa de recursos públicos e só, pronto, acabou: a partir daí está tudo errado. É um sistema perdulário e injusto. É perdulário porque cria uma cadeia desnecessária de intermediação. Ao invés de o dinheiro sair em linha direta do caixa público para a ação cultural, cria-se uma cadeia de intermediação porque, para a busca desse recurso em meio a milhares de empresas, exige-se uma série de captadores, gente especializada em formulação de projetos e corretagem, o que dá margem a processos de corrupção. É perdulário também porque, no uso do dinheiro público, as empresas aplicam para fins que nada têm de interesse público. E ele é injusto porque ele não estabelece uma relação entre dinheiro público e interesse público. Isso faz com que, por exemplo, o filme a ser financiado seja o A e não o B. Os critérios passam a não ser justos e, então, chega-se a uma situação mais do que perdulária e injusta. Chega a ser absurda, surreal, como no caso da Lei do Audiovisual. Essa lei é um dos maiores escândalos culturais produzidos nesse país.

CM - Por quê?

YS - Você sabia que, quando você entra no cinema e vê aquela marca na abertura dos filmes, você está pagando para aquela empresa usar aquela marca naquele filme? O desconto via lei, nestes casos, chega a 132%, ou seja, aquela marca que abre o filme pegou R$ 1 milhão de reais do dinheiro público - porque ela não pegou um centavo do bolso dela - e deu para aquele filme acontecer. Em troca, pediu uma série de benefícios, inclusive aquele benefício de imagem. Além de ela deduzir do imposto o R$ 1 milhão que ela "deu", ela deduz também R$ 320 mil porque lança como despesa, aquilo se abate sobre o lucro e, na incidência, vira lucro. O poder público, o Estado brasileiro, paga para que empresas privadas decidiram onde se vai colocar o dinheiro público em forma de incentivo cultural, é assim que tem que ser vista a Lei do Audiovisual. A população brasileira não sabe disso, o cidadão brasileiro não sabe disso e precisaria saber.

CM - Então o modelo ideal é o financiamento direto?

YS Totalmente, não há nenhuma dúvida nisso. É assim que acontece no mundo inteiro e assim que acontece no Brasil em outras áreas, como científica, acadêmica, por exemplo, a de pesquisa. Como é que se concorre a recursos públicos na área de Biologia e Física por exemplo? Entra-se nos órgãos e institutos públicos afins que vão medir a competência do candidato por mérito técnico e mérito de política pública. Então, são critérios que fazem parte de uma estratégia pública de pesquisa, a cultura também deveria ter isso. Qual é a estratégia pública para fomentar a dança instrumental no Brasil? Qual é a estratégia pública que temos para gerar processos de inclusão cultural ou de democratização de acesso à cultura. Existe uma série de questões na área cultural que só o poder público pode dar conta.

CM - Mas não há experiências eficazes de incentivo cultural via fisco em outros países?

YS Há claro, mas não tem nada a ver com o que a gente chama de incentivo fiscal no Brasil. Lá fora é assim, como nos Estados Unidos, por exemplo, o cidadão mora em Nova York e vai muito ao Metropolitan porque acha o espaço um patrimônio da cidade e resolve ajudar o Metropolitan. Então ele dá 100 dólares por ano para o Metropolitan e desconta no seu Imposto de Renda. Mas, veja bem, a idéia é ele descontar 100 dólares do seu incentivo cultural, é deixar de pagar por essa doação e não receber por essa doação, como é facultado aqui como possibilita a Lei do Audiovisual de permitir as empresas até a lucrar 32% sobre o incentivo dado.

CM - Se é tão evidente os malefícios da lei por que não se consegue mudá-la?

YS Mudar a lei não é mexer em dois, três artigos dela, mas mudar o sistema de financiamento público à cultura. É fazer com que se substitua o sistema de dedução fiscal por um sistema de fundo de financiamento público e, a médio prazo, desaparecer com as leis de renúncia fiscal. Mas falta interesse e é importante que se diga que o governo Lula, com o Ministério do Gilberto Gil, endossa esse sistema de renúncia fiscal como sistema válido como modelo de financiamento público. O Ministério da Cultura organizou uma série de fóruns pelo Brasil para discutir mudanças cosméticas na lei.

CM - O argumento do Minc é que há entraves políticos para a mudança...

YS Por entraves políticos leia-se peitar pequenos lobbies, isso é que são entraves políticos. São lobbies poderosos apenas para gerar impacto midiático. Na verdade, a coluna do ministério neste aspecto foi quebrada logo no início do governo por um golpe midiático feito por alguns cineastas que revidaram um edital redigido de uma forma incompetente por uma estatal, colocando a necessidade de contrapartidas sociais para futuros projetos que viessem a ser contempladas por ela. Na verdade, foi um golpe midiático porque, por trás daquilo, não havia nenhuma crítica consistente. Enfim, é bom que se diga que, com Gil ou sem Gil, o staff técnico do ministério tem o diagnóstico completo disso sobre o que eu estou falando, lá todos sabem disso melhor do que eu e você. Outra: o Gil levou para o Ministério gente que tem uma visão crítica de todo esse processo que foram para lá dispostos a mudar isso, mas caíram na vala comum.

CM - Como o senhor avalia a participação privada nas ações de patrocínio cultural no Brasil?

YS Patrocínio é uma questão de comunicação empresarial, esquece lei de incentivo, cultura etc., é apenas uma forma de uma marca se comunicar. E, hoje, o próprio mercado está levando as empresas a se comunicarem de uma forma associativa: ela associa sua imagem a conteúdos que tenham valor para os seus públicos. Isso pode acontecer no campo cultural, esportivo, social, ambiental etc. Essa estratégia é adotada no mundo todo e no Brasil e desenvolve-se a cada ano. Atualmente, 19% dos orçamentos de comunicação das grandes empresas brasileiras são investidos nessa estratégia, e isso vai continuar crescendo nos próximos anos. Mas, com a criação das leis de incentivo, surgiu um dinheiro que não é deste orçamento, então as empresas usam dessas benesses, claro, pois está previsto em lei. Chegamos, com isso, a uma outra perversão da lei de incentivo cultural via dedução fiscal, que é a de deseducar o empresariado. É como se você dissesse para ele que não precisa usar o dinheiro dele para vender a sua imagem. E isso, infelizmente, criou uma dependência crescente desse processo. Hoje, do total de investimentos das empresas na cultura, 67% vem do uso das leis de incentivo fiscal. Ou seja, são 67% de recursos que usam leis de incentivo contra 33% que não usam. Outro dado: 80% das empresas brasileiras que fazem patrocínios culturais usam os benefícios da lei.

6.6.07

Víctor Jara, o músico das mãos decepadas por Pinochet

O sangrento golpe militar do Chile, em 1973, deixou um saldo de mais de 15 mil mortos, 30 mil prisões e centenas de torturados. Entre as vítimas da barbárie pinochetista, estava Víctor Jara, jovem poeta e compositor de música popular, líder da Nueva Canción - movimento que pertence à estética da música de protesto.

Além de grande e inventivo artista, Jara era militante das Juventudes Comunistas. Em 1970, na campanha de Salvador Allende para a presidência do Chile, realizou recitais em todo o país. São dessa época canções engajadas, como El Manifiesto e La Plegaria de un Lavrador.

Com Allende eleito, Víctor Jara assumiu um papel preponderante no desenvolvimento cultural e político do país. Foi¬lhe outorgado o cargo de embaixador cultural do governo da Unidade Popular, que desempenhou de 1971 até à sua morte. Na qualidade de embaixador cultural, levou o seu canto a importantes palcos mundiais.

Em 1972, realizou uma volta musical à União Soviética e a Cuba. Foi convidado, no mesmo ano, para o Congresso de Música Latino-Americana, organizado pela Casa das Américas, em Havana. Em seu regresso ao Chile, dirigiu a homenagem que se fez ao poeta Pablo Neruda depois de este receber o Prêmio Nobel de Literatura.

No dia 11 de Setembro de 1973, durante o golpe militar, Víctor Jara foi detido com um grupo de professores e 600 alunos que se encontravam na Universidade Técnica do Estado. Depois da sua apreensão, foi levado ao Estádio Nacional de Santiago - que os militares utilizaram, naqueles dias sombrios, como campo de concentração.

Jarra não obedeceu à ordem militar de parar de tocar seu violão. Teve assim suas mãos decepadas - e misturou gritos de dor com alguns versos de protesto de sua autoria. Foi o bastante para que um insano militar calasse Jarra com um tiro em sua cabeça, ceifando a jovem vida de um grande talento.

Uma testemunha relata que os algozes, ao cortarem as mãos do músico, lhe teriam dito: "Agora pode tocar violão". Dias depois, sua mulher, Joan Jara, identificou o corpo dele, fuzilado e com as mãos amputadas. No estádio, Victor ainda escreveu seu último poema, no qual transparece toda a sua dor e sofrimento, a um passo da morte, contemplando com profunda tristeza o que acontecia com seu país:

"É este o mundo que criaste, meu Deus?
Para isto os teus sete dias de assombro e trabalho?
Como me sai mal o canto quando tenho que cantar o espanto!
Espanto como o que vivo.
Como o que morro, espanto".

Em 1990, a Comissão Verdade e Reconciliação reconheceu que Víctor Jara foi ferido de morte no dia 16 de Setembro de 1973, no Estádio Nacional de Santiago. Seus restos descansam no Cemitério Geral.

O poema a seguir foi citado no primeiro número da revista da Apropuc, inteiramente dedicado ao músico, poeta e compositor chileno. Segundo a publicação, "essa homenagem se estende a todos os artistas que emprestam ou emprestaram seu talento à luta social, à causa dos trabalhadores e, por esse motivo, foram oprimidos, torturados ou assassinados".

Canto para as Mãos Partidas de Víctor Jara
(Por Pedro Tierra)

Quisera chorar teus dedos dilacerados:
Raízes do meu canto subterrâneo.

Quisera chamar-te "Hermano"
Como a infância dos rios
Lava o rosto da terra,

Mas minha boca sangrava
Um silêncio de canções amordaçadas.

De tuas mãos se dirá um dia:
Geravam pássaros de sangue
Como as primaveras da lua.

Tuas mãos,
Tristes descendentes das canções araucanas,
Tuas mãos mortas,
Casa de canções decepadas,

Tuas mãos rotas,
Últimas filhas do vento,

Guitarras enterradas sem canto,
Sementes de fuzis,
Seara de sangue.

Quisera entregar
Minhas mãos inúteis
Ao cepo de teus carrascos.


Fontes: Rebelión, Adital e Site da Apropuc

4.6.07

A Funarte, as Políticas Públicas de Cultura e a Democracia

Celso Frateschi, recém-empossado presidente da Funarte, fala sobre as políticas que pretende desenvolver na gestão do órgão e da necessidade de afinar a parceria entre a entidade, o Governo e o Ministério da Cultura.

Celso Frateschi é ator, diretor e autor teatral, ator de televisão e cinema e produtor de cinema, e já soma mais de trinta anos de carreira. No campo acadêmico, atualmente é professor licenciado da Escola de Artes Dramáticas da Universidade de São Paulo, da qual também era vice-diretor. Na gestão pública, já foi secretário de Cultura em Santo André e, em São Paulo, durante a gestão Marta Suplicy, foi diretor do Departamento de Teatro e, em seguida, Secretário Municipal de Cultura. Desde o final de abril, é o presidente da Fundação Nacional de Arte (Funarte), órgão independente ligado ao Ministério da Cultura e responsável por tornar reais boa parte das políticas por ele geradas.

Em sua atuação como gestor, Frateschi realizou projetos de fomento ao teatro e à produção cultural na periferia, trabalhou uma agenda conjunta com a Secretaria de Educação, especialmente nos CEUs, e criou o Museu Afro-brasileiro. De seu gabinete na Funarte, falou-nos sobre as diretrizes da cultura na gestão Lula/Gil, de democracia participativa, de fomento aos produtores independentes, teceu elogios ao programa Cultura Viva e críticas à estrutura de direção da própria Funarte, além de apontar alguns malefícios do atual modelo de fomento à Cultura.

Leia os melhores momentos da entrevista concedida a Guilherme Jeronymo*, repórter do 100canais - núcleo editorial de jornalismo cultural independente, parceiro da Carta Maior:

100canais – Parte da imprensa noticiou que o senhor assumiria a presidência da Funarte com carta-branca do Ministro Gilberto Gil. O que isso significa? Como ela se traduzirá no seu projeto para a Funarte?

Celso Frateschi – Em primeiro lugar, eu nunca pedi, portanto nunca recebi, nem me interessa receber carta-branca do ministro. Pelo contrário, quero o envolvimento do Ministério e do ministro em todos os projetos que for realizar aqui na Funarte. A carta-branca, se me dá liberdade, ao mesmo tempo tira o compromisso daqueles que eu quero que se comprometam a fazer os projetos comigo.

Em política, não tenho interesse em desenvolver um projeto pessoal, e não propus projetos pessoais quando estive nos governos de Santo André e de São Paulo. Entro nesta gestão por acreditar no projeto coletivo por ela proposto, e não tenho pretensão, expectativa ou querência de ter carta-branca. Acho que tem sim uma contribuição pessoal minha, algo com que eu possa colaborar, mas isso dentro de um projeto coletivo. Tenho sim muita liberdade de propor e de executar, como também muito compromisso com este projeto.

100 - O senhor já afirmou, em entrevista anterior (leia aqui entrevista com este repórter na Carta Maior), acreditar em dois pontos de vista diferentes para se encarar o processo da cultura: como direito de cidadania ou como atividade econômica. A última gestão da Funarte, até por ter tido a tarefa de praticamente se reerguer do nada, privilegiou a estruturação econômica, inclusive com uma política setorialista. O plano agora é o de aprofundar essa visão, estruturando-a melhor, ou o de diversificá-la, pensando no acesso do cidadão também aos bens de produção de cultura?

CF - O tripé do governo Lula em Cultura, capitaneado pelo Gil, define três grandes linhas: o desenvolvimento da cultura na questão simbólica, a cultura como direito de cidadania e a cultura como atividade econômica. A equação que o governo propõe coloca essas três dimensões do trabalho cultural interagindo e alimentando-se, provocando-se mutuamente. Não concordo que o Grassi [Antônio Grassi, presidente anterior da Funarte] tenha inclinado-se de maneira desequilibrada a essa parte econômica. Foi uma preocupação, mas se ele pretendeu desequilibrar foi para o lado da cidadania cultural ao reavivar a Funarte com projetos amplos procurando atender o Brasil como um todo e em várias áreas artísticas. Não pretendo mudar essa linha, nem me contrapor a esse tripé. Pelo contrário. E pretendo colocar minha experiência para desenvolver isso da forma mais ampla possível.

Num primeiro momento analisamos os editais da gestão anterior, e agora estamos priorizando a federalização, com iniciativas como a de realizar prêmios que tem disputa por Estado, não deixando prevalecer a concentração de prêmios e verbas em projetos do eixo RJ-SP. Os projetos de um determinado Estado disputarão entre si. Não chegamos a uma versão definitiva deste modelo, mas avançamos bastante. Uma coisa é certa: para desenvolver as três vertentes, será necessário trabalharmos integrados com o Ministério e com o Governo como um todo.

100 - Quão independente é a Funarte para fugir da lógica do estímulo à produção dependente das leis de fomento?

CF – Sabe, nós precisamos relativizar um pouquinho esse conceito de dependência ou independência. Nós temos interesse inclusive de intervir na lógica dos Programas Nacionais de Cultura, e já intervimos em sua prática. O Pronac, por exemplo, tem boa parte dos pareceres vindos da Funarte, ficando as decisões para o CNIC e, em última análise, para o Ministro. Se nos colocarmos como independentes, acabaríamos não participando dessas discussões de critérios da Lei Rouanet e de formas para melhorá-la. Isso não pode acontecer, pois queremos estar dentro do Governo, sugerindo ações e propostas para que a arte e a cultura estejam em pauta no conjunto do Governo, assim como queremos ser permeados também pelo governo. Hoje, a Cultura é discutida de uma forma estratégica. A participação do ministro em pautas como a da TV Pública demonstra isso.

É preciso uma certa independência sim, para que não haja interferência das outras áreas na atuação do artista. Estamos num processo, num momento, em que a Cultura já não é tratada mais como apêndice da educação. Mas isso não significa que não devemos ter um trabalho orgânico com a educação. A cultura por muito tempo foi vista como uma ação meramente ligada a eventos, como uma ação cultural ou institucional, de governo ou de empresas. São ações que limitam a função artística, e que estamos superando. São ações muito visíveis, principalmente quando a cultura vira subproduto, quando, na verdade, ela é o produto principal, não precisando travestir-se de nada para ser importante ou estratégica.

100 - Como a Funarte articula-se e qual seu potencial de articulação com políticas externas à sua estrutura como a lei Rouanet, os Funcines e o Fundo de Cultura?

CF - Ela tem institucionalmente essa função. Agora, nem sempre ela pode fazê-lo. É preciso lembrar que a Funarte foi destruída no governo Collor e abandona na gestão FHC. Mas ela tem, sim, como interferir nas discussões do Programa Nacional de Apoio à Cultura - Pronac e da Comissão Nacional de Incentivo à Cultura - CNIC, por ser quem avalia a maior parte dos projetos que pedem recursos em seu âmbito. Estamos discutindo as Instruções Normativas que definem as políticas de fomento e tendo assento nestes fóruns, dos quais, antes, não participávamos. Agora, nesta gestão, parece-me que estamos conseguindo um trânsito bastante positivo no conjunto do Ministério da Cultura e de suas secretarias.

100 – Neste sentido, o recente Requerimento 69/2007 da Comissão de Educação e Cultura da Câmara, de autoria do Deputado Paulo Rubem Santiago, convidando o senhor e uma série de Secretários do MinC e os presidentes da Ancine e do Iphan para debater o Plano Nacional de Cultura é uma atitude positiva?

CF - Claro que é positiva. É fundamental que estejamos numa instância tão importante quanto a Câmara, nem que seja para explicitar nossas mazelas e dificuldades todas num órgão que pode ser um grande aliado para desenvolver nossas ações.

100 - É demais imaginar uma Funarte como mais do que uma “agência” de fomento, indo um passo além da reestruturação que marcou os últimos quatro anos e atuando como geradora, articuladora e executora de políticas publicas, inclusive atuando na proposição de um modelo político para as artes?

CF – A questão é que, como agência de fomento, ela é geradora e executora também. Mas esse é, sem dúvida, apenas um dos aspectos da Funarte, e todo o esforço do Ministério é para que ela atue na formulação de políticas públicas estruturantes para o futuro do país. A nossa missão é executar de uma maneira mais efetiva o Plano Nacional de Cultura e o Sistema Nacional de Cultura, já consagrado em discussões na gestão anterior deste governo. A Funarte vai ter uma grande participação na efetivação das políticas, e isso significa discutir e ter planos conjuntos com Estados e municípios seja com os editais da Funarte, seja com os Pontos de Cultura. Agora, o esforço é o de alcançar a consagração definitiva do Sistema e do Plano.

100 - Como a greve dos servidores da Cultura, baseada sobretudo no Rio de Janeiro, afeta a Funarte, qual a posição da Fundação e que desafios ficam evidenciados?

CF - É evidente que a greve afeta de uma maneira bastante importante as atividades da Funarte. E é esse o sentido dela. Ela é uma ação para que o Governo, como um todo, responda às manifestações e o Ministério tem se posicionado de maneira bastante explícita como favorável às reivindicações dos funcionários, que estão sendo discutidas com o Governo. O Ministério tem pressionado para que essa negociação com o Ministério do Planejamento seja realizada, e torne-se possível o cumprimento do acordo realizado entre servidores e Governo em 2005. Temos uma relação bastante “civilizada” com os funcionários da Cultura em todos os locais onde atuamos, e essa greve nos prejudica bastante.

100 - Quais a sua visão da abrangência do programa “Cultura Viva” em sua utilização como campo de articulação de políticas que visem à “cidadania” por meio da arte, articulada com a educação e com perspectivas de sustentabilidade econômica?

CF – Acho que o Cultura Viva é o grande sucesso da gestão Gil, e ele vem se implantando com uma rapidez muito grande. Passa aos poucos a ter um caráter mais federativo e a posição do Célio Turino tem sido muito positiva neste sentido. É um programa amplo, completamente não restritivo no sentido de linguagens e de formas e que, por isso mesmo, tem muito o que expandir. A tendência é ganhar uma escala federal maior do que a que atingiu até agora.

100 - Como pode este programa levar em conta as necessidades culturais da população sem deixar de levar em conta as necessidades dos produtores? Qual destes setores é melhor contemplado?

CF - São setores que podem ter um atendimento complementar neste projeto, mas o Cultura Viva não tem como objetivo os produtores. Ele está preocupado com outras coisas, e talvez seja o programa em que a cidadania cultura é mais atendida. Quanto ao produtor, há projetos, a própria Lei Rouanet e editais, voltados para eles. O Cultura Viva parece-me um projeto bastante amplo em que o produtor também se inclui, quando engajado, em resolver as questões propostas pela população.

Mas isso depende da forma como se define produtor. Se encararmos esse termo em lato sensu, de que produtor é quem faz cultura, então o programa atende bem mais aos produtores. Se no stricto sensu, pensando os produtores como os que se sustentam com a cultura, então eles ganham neste programa só quando a população necessita.

100 - É possível um “choque de democratização” estética no país, multiplicando o acesso e a produção da arte como alternativa econômica concreta para comunidades locais, ou seja, fazer a Funarte chegar à população, ao invés de manter uma postura passiva de órgão que recebe projetos?

CF - Essa é um pouco a missão da Funarte, e o que estamos fazendo. Não digo com termos bombásticos como “choque”, mas de construção da democracia, de um ambiente no qual a arte chegue à população, tanto no seu fazer como no seu fluir. E vamos trabalhar nesse sentido, construindo bases para que esta política de democratização avance de forma significativa nos próximos quatro anos.

100 - Linhas de fomento que visem à produção independente como alternativa econômica estão em pauta neste novo momento da Funarte?

CF - Estamos estudando uma forma de atuar em grande escala no fomento de pequenos projetos. Está em discussão, na Funarte e no Ministério, trabalhar com projetos que necessitem de até R$ 15 mil, principalmente em cidades de até 50 mil habitantes. Mas isso ainda está em estudo e não podemos dizer ainda que haverá algum plano. Há, porém, a intenção de ter uma destas linha ativa até o final de 2007. Há outros projetos que estamos estudando também nesse sentido de levar a cultura para a população. Um dos projetos é o de colocar o acervo da Funarte à disposição da população, até em parceria com projetos de outros Ministérios e de Secretarias Estaduais.

100 - É possível escapar das políticas setorialistas, ampliando programas e projetos como os Pontos de Cultura para serem pensados como espaços culturais de participação e construção de cultura?

CF – Sim, e a participação em espaços como estes vai ser ampliada. Temos agora o interesse da Funarte de trabalhar mais junto do Cultura Viva e dos Pontos de Cultura. Nos Pontos de Cultura, a questão inclusive é a disponibilização de pequenos projetos, direto com o produtor. Não se estará mais fomentando uma ONG, mas o próprio artista, algo próximo do VAI de São Paulo, programa de fomento que não tem um edital por área ou um corte por linguagem. O que é julgado lá é a qualidade do que o artista propõe, independente da linguagem que utiliza ou na qual se ancora.

100 - Por sua característica própria como Fundação, praticamente uma agência, é possível e almejado que a Funarte atue como um ponto de geração de sinergias entre governo, terceiro setor, iniciativa privada e movimentos? O que falta para isso, e quais os modelos de gestão cultura que podem emergir daí?

CF – Claro que é essa a preocupação do Ministério como um todo. E a Funarte está pensando e agindo neste sentido. Mas temos que ir com calma, como aquela sacada do Garrincha ao perguntar pro técnico se o adversário já tinha concordado com o esquema tático. É necessário antes acordar e sensibilizar os futuros parceiros, e a gestão Gil tem estado atenta a este sentido. Há grupo de estudo entre os Ministérios da Cultura e Educação, trabalhos com outros Ministérios, e isso está levando a resultados. Mas é uma ação a longo prazo, um processo que é demorado, e não há ilusão de que isso aconteça magicamente.

100 - Como pensar, do ponto de vista econômico, soluções para os problemas de difusão e distribuição dos produtos culturais? Quais as ferramentas que podem ser melhoradas e quais se fazem necessárias neste sentido?

CF – Está aí outra coisa que temos de começar a mudar. Temos os modelos da Rouanet e seus editais e existe uma cultura hoje no Brasil que reforça a produção, muito concentrada no eixo sul-sudeste e RJ-SP, e pensado pouco no público. Com o modelo atual, normalmente se pensa em um show que será apresentado em um dia, ou uma peça de cinco semanas. E, com isso, parece até que a atividade econômica que caracteriza a Cultura sumiu. Diferente de 10, 15 anos atrás, quando havia peças que realizavam até oito sessões semanais, hoje a grande maioria mantém-se com duas ou três apenas.

Mudar isso é uma coisa complicada, e temos poucas formas de fazê-lo, mas cada vez mais temos pensado em formas de fazer o produtor pensar em seu público. Hoje, vivemos uma lógica em que o produtor vive de e pensando em seu próximo financiamento. Temos estudado isso, na discussão das Instituições Normativas inclusive, para saber como mudar o foco da produção pura e simples para o foco no público, para crescer o consumo de peças, shows, espetáculos e etc. Temos pensado em como podemos estimular isso, mas não existe nenhuma mágica ainda não, nenhuma varinha de condão, até porque, da forma que o modelo está colocado, ele acaba resolvendo a questão do dinheiro do produtor. Muitas vezes, com uma pequena temporada paga, vale mais a pena pensar na próxima temporada do que atender a um público maior. Paradoxalmente temos mais produções, porém em um mercado que não se amplia ou talvez até se restrinja.

100 - Apesar da má recepção da mídia a projetos como a Ancinav, é possível se pensar nesta gestão em mecanismos de controle público e gestão participativa na Cultura, até como os conselhos dos CEUs e experiências como o Orçamento Participativo e o VAI funcionaram em São Paulo durante a gestão Marta Suplicy?

CF - Tenho trabalhado esse ponto aqui na Funarte. A nossa idéia é criar uma forma, um conselho público de controle, até porque não temos. A nossa proposta de mudança do Estatuto parte por aí. Na gestão, tudo tende a melhorar com o controle público. A Democracia Participativa tem demonstrado ser uma ferramenta que traz grande vitalidade às gestões. Na minha gestão na Secretaria Municipal da Cultura em São Paulo, implantei diversos mecanismos de controle público, como o Conselho Municipal de Cultura, o Parlamento Municipal de Cultura e os conselhos locais, todos muito importantes para a gestão da Arte e da Cultura.

100 – Como assim uma reforma no Estatuto?

CF – O regimento da Funarte não tem um conselho curador, que é um exemplo de ferramenta para controle púbico. O controle das ações da Fundação está restrito aos seus diretores. Esse e alguns outros pontos estão em estudo para serem alterados, no sentido de tornar a Funarte um organismo mais republicano.

100 - Quais as idéias na Funarte para o apoio às vanguardas, tanto em artes e modelos de arte consagrados como em novas tecnologias, em especial as digitais, pouco discutidas nas políticas de fomento à Cultura.

CF – Sabe, a Funarte sempre foi considerada elitista. Sempre foi considerada uma instituição que apoiou mais a vanguarda do que a cultura popular. Não foi verdade, como não é verdade que vamos deixar de apoiar as vanguardas. Hoje se tem, na arte e na música especialmente, nas artes cênicas também, apoio a grupos de ponta. Na área de novas tecnologias, realmente temos de trabalhar mais a cultura digital, o que é uma proposta do próprio Ministério. Estamos nos organizando para tanto por meio do canal virtual, que está já estruturado, com equipamentos novos. É um programa que já existia, mas que ainda não se colocou publicamente de forma mais definitiva, e que trabalha com novas tecnologias na produção e na difusão. Estamos trabalhando bastante também na perspectiva do que poderá ser feito com a TV Digital, na produção de conteúdo para ela. Mas ainda há muito com o que trabalhar.

Um outro ponto que é importante pensar é que não é mais urgente nem fazer chegar o que já existe nem criar o novo ou a partir do novo. Não são coisas excludentes, e tão importante quanto fazer cultura é receber produtos culturais.

(*) Guilherme Jeronymo é repórter do 100canais - núcleo editorial de jornalismo cultural independente.